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  • Franco Catalano

Humanismo em tempos desumanos

Divagando sobre o mundo pós-apocalíptico, digo, pós Covid-19, vislumbro um futuro próximo onde a ciência terá papel primordial e irrefutável na sociedade, a qual estimulará investimentos em pesquisa e inovação, dando às universidades o crédito que lhes cabe. Neste futuro também serão valorizados os artistas, pois foram eles que mantiveram nossa sanidade mental durante o período de isolamentos. Como? Com produção cultural no universo das músicas, filmes, séries, documentários, livros e curadoria digital. Vislumbro um mundo onde a população escolherá seus governantes com cautela, prezando pelo preparo moral e intelectual de seus candidatos. Um mundo onde os próximos mandatos estimularão e destinarão recursos à ciência, investirão na manutenção e modernização dos hospitais, lutarão por moradia digna para todos.


O período que vivemos no mundo e, sobretudo, no Brasil, tem paralelos com o final da Idade Média, cujo declínio em direção ao Renascimento foi acelerado pela praga que assolou a Europa no final do século XIV. A chamada Peste Negra, cujo pico atingiu em meados de 1350, foi uma pandemia de rápida proliferação e mortalidade assustadora: cerca de 1/3 da população europeia faleceu em decorrência da doença. Essa peste, juntamente com uma série de transformações socioeconômicas e políticas, contribuiu para a Crise da Baixa Idade Média, com as revoltas dos camponeses, a Guerra dos Cem Anos e o declínio da cavalaria medieval.


Neste momento, a ciência começa a ganhar protagonismo e gradativamente substitui o teocentrismo até então vigente. É o renascimento dos ideais da Antiguidade Clássica, com pensamento progressista e crescente valorização da racionalidade, do ser humano e da natureza. Daí o nome da principal corrente filosófica da época: Humanismo.





Em geral, os historiadores de arte dividem o Renascimento em três fases: Trecento, Quattrocento e Cinquecento. A primeira fase limita-se à Itália, principalmente à região florentina, com artistas como Dante Alighieri, que buscavam separar-se da tradição medieval em sua literatura. A segunda fase, mais amadurecida, pulveriza por toda Europa os ideais renascentistas, tendo como máximo expoente Leonardo da Vinci. A terceira e última fase, coincidente com a Alta Renascença, é o apogeu deste período, encontrando em Roma terreno fértil para prosperar, graças ao mecenato papal. No Cinquecento, nomes como Rafael, Michelangelo e Bramante traduzem através das artes o pensamento antropocentrista, que “O Príncipe”, livro de Nicolau Maquiavel bem representa.


Em pleno século XXI, com toda tecnologia e história a nossa disposição, surgem grupos conservadores que insistem em colocar fatos e ciência em segundo plano. Sugiro fazermos um exercício de olhar para o passado e perceber que a humanidade só prospera quando o ser humano valoriza a si, ao próximo e ao conhecimento.


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